terça-feira, abril 06, 2010
Tenho mesmo que decidir agora?
Uma ajuda aos que ainda não sabem o que vão fazer da vida
Ser médico? Mas meu pai quer que eu seja engenheiro...
Ser artista é mesmo coisa de viado e de atoa? Pelo menos é o que ouvir falar...
Onde tem carniça terá sempre urubus e advogados? (...)
Tem vestibular para Assistente Social? (...)
Se eu fizer Geografia, vão me convencer de que o Acre existe mesmo? (...)
Bom, esta é uma tentativa de facilitar a vida dos jovens que ainda não sabem o que querem da vida. Após rodar e rodar e rodar, cheguei à conclusão de que existem três tipos de pessoas: aquelas que sabem o que quer; aquelas que têm dúvidas; aquelas que estão perdidas. Vamos falar um pouco sobre cada uma delas.
Talvez você não se encontre por entre essas palavras. E esse foi o motivo principal da criação deste texto. Caso fosse minha intenção discorrer sobre todas as situações possíveis [ou quase todas], este texto contaria com páginas aos milhares. Sendo assim, após ter uma noção da sua situação, seria interessante se você pudesse compartilhar conosco. Não tenha receio, pois, este é um lugar de crescimento mútuo. Divirtam-se!
Aquelas que estão perdidas [Sinceramente, não sei o que quero!]
Nasci em berço esplêndido e tenho nos meus pais o meu porto seguro. Não temo seguir em frente, pois, fui criado para andar sempre olhando acima dos ombros alheios. A vida será sempre assim. Basta eu conseguir uma brecha para que as coisas possam acontecer. (...)
Muito bem, alguns podem ter se familiarizado com a pessoa acima. Aos que não, relaxem e apreciem o momento, pois, não se trata de você, ainda. Algumas dicas de como agir antes que seja tarde demais:
••Pare de agir como se o amanhã fosse algo distante. Quando menos esperar você estará barbudo, vestindo trapos e coçando a virilha com o microfone do seu computador. E o pior, você viverá com uma vergonha mesada dos seus pais.
••Seus pais não são eternos. Chega uma hora que a terra reclama o seu direito de tê-los em campos verdejantes. Não tem como burlar esta lei da natureza. E quando isso acontecer, você estará pronto para assumir as rédeas de sua vida? Seja sincero, pois, não tem como mentir para vc mesmo.
••Fazer aquele curso de Inglês não é nenhum castigo! Seu pai não acha legal gastar uma fortuna com um filho birrento apenas para castigá-lo. O curso profissionalizante também não é nenhum castigo. Estão todos empenhados em garantir-lhe o melhor futuro possível. Lembre-se do sábio ditado: "quem quer rir tem que fazer rir" (by Tropa de Elite).
••Escute seus pais. Ficar 12 horas ininterruptas de frente ao computador não lhe fará bem. Você não ficará rico esperando aquele convite da Microsoft. Você não conhecerá aquele homem maravilhoso e cheio da grana que vai te dar uma vida de prazeres intensos. Você também não vai conseguir passar na escola achando que seu raciocínio é acima da média, e que, por isso, sabendo regra de três você passará inclusive em geografia.
Antes que eu me esqueça, irei repassar um grande conhecimento de minha amada avó. Mas quero que vocês me prometam que vão meditar durante horas e horas em cima desta máxima tântrica que deveria ser ensinada nas igrejas e escolas de todo o mundo: "faça a sua independência!" . Nada melhor do que ser independente... minha avó estava certa. E eu estive equivocado boa parte de minha vida.
Seguindo essas dicas, você estará apto a decidir o que quer da vida. Se ainda não estiver, não tem problema. Este foi apenas uma etapa. Outras mais serão necessárias. E mais, lembre-se, se errar, volte e tente novamente. Isso não é vergonha, isso se chama perseverança! Afinal, pelo menos agora você não está mais vivendo debaixo das asas da mamãe, não é?
Aquelas que sabem o que quer [Isso aí mesmo, nasci para a coisa!]
Se você encontra-se nesta parte, sugiro que você esteja se sentindo um pouco superior aos demais. Acertei? Pois bem, alguns amigos, estavam certos do que queriam, assim como você . Eu, ao contrário deles, estava sempre com aquele ar de inveja por não ter descoberto cedo o que eu iria fazer pelo resto da vida. Afinal, o resto da vida é vida demais! Muita coisa iria acontecer. E aconteceu! Vejamos uma delas:
Em um dia chuvoso - daqueles bem cinzentos -, estava redigindo um texto para ser entregue ao jornal A Janela do Ser. Quando de repente, recebi uma ligação da redação dizendo que este seria o meu último trabalho no jornal porque o meu contrato seria interrompido por culpa de um novo Chefe de Redação.
– Tudo bem! Se não me querem, eu vou-me embora! – pensei.
Após fazer aquele texto caprichado e rico em detalhes – que é para deixar claro o que eles estavam perdendo –, fui à sala do novo chefe para ver quem era o gênio por trás desta ação. Se eu tivesse me preparado, ainda sim não teria passado nem perto de adivinhar a grande surpresa que seria.
Bati a porta, pedi para entrar e fui atendido. Apresentei-me e após alguns instantes, ele me reconheceu e logo me veio à memória o fatídico dia em que ouvi que ele já sabia que seria médico.
– Era aquele amigo de infância que jurava que seria médico!
– PORRA! Se o filha da puta tivesse seguido sua vocação, de quando era criança, eu ainda teria emprego, cacete!
Para vocês que já sabem o que querem, peço encarecidamente, que tenham realmente a certeza do que vão ser quando crescer ou então que diga que tem dúvidas aos seus amiguinhos. Assim aqueles que não sabem o que querem não vão se sentir constrangidos, naquele momento, e nem irão sofrer duas vezes quando você demiti-lo no futuro. [Maldito seja!]
Estamos combinados?
Aquelas que têm dúvidas [Não tenho certeza, prefiro esperar mais um pouco.]
Muito bem! Se você está neste ponto, posso dizer com toda convicção de que você é o mais sensato. Entretanto, os seus problemas só estão no começo.
Você pode ter vindo de berço de ouro. Pode, até mesmo, ter tido uma vida sofrida. Mas nada te preparou para este momento. Você não pode se dar ao luxo de errar e nem tampouco aceitaria ter de fazer algo apenas por fazer. Decidir o futuro da sua vida assim de supetão não é algo fácil de fazer. Mas se for parar para pensar, não é tão alarmante assim. Pelo menos não teria de ser. Aos 16 anos você já está ciente de tudo a sua volta. Já pode até votar e, assim, decidir o futuro de uma nação. Por que não decidir o seu próprio futuro?
Bom, sabemos que a vida não é fácil para ninguém. Então, o melhor a se fazer é otimizar uma situação. Otimizar é tornar algo ótimo, obviamente.
Primeiro passo: conheça seus talentos natos.
Será que você fica fascinado com tudo o que se passa na National Geographic Channel?
Talvez você leve jeito para Biologia, Física ou Química. Talvez, a História seja sua alegria.
Será que a Globo News é mais atraente?
Já se viu como Jornalista? Afinal, pode ser que o mundo da Economia não seja tão complexo assim.
Você é sempre procurado por seus amigos quando eles têm problemas?
Freud pode não explicar, mas pelo menos ele te entende. A filosofia, Sociologia, Psicologia e todas as outras “logias”, além da Psicanálise, talvez te faça ter júbilos de alegria.
Consegue falar o nome da menina que você odeia arrotando?
Teatro Circense também é trabalho.
Fica puto quando retiram aquele vira-lata sarnento da porta do açougue a pontapés?
Pode ser que você leve jeito para ser Veterinário.
Acha que o mundo é uma consequência de muitos acasos?
Prepare seu estômago para o fantástico mundo da Astrofísica.
Consegue sentir algo vindo do além?
Nada como ser sincero e procurar respostas sendo um Teólogo.
(...)
Enfim, perguntas simples que vão te dar uma dica para aquilo que você leva jeito. Comece perguntando a você mesmo sobre o que te motiva. As respostas não lhe trarão uma noção concreto-completa do que você quer fazer, apenas um mote aonde você construirá as bases para seu futuro o quanto antes possível.
Segundo passo: o que dá para fazer.
Se eu me vejo como médico, mas não posso pagar aquela mensalidade salgada da faculdade, eu não devo parar no tempo por conta disso. Ter de escolher caminhos alternativos para alcançar o meu sonho não é algo incomum, pelo contrário. Posso pagar o curso de enfermagem e ir trabalhando para juntar aquela grana. O bom é que terei mais bagagem do que aqueles meros profissionais da saúde. A grande maioria das pessoas encontraram dificuldades e tiveram de optar pelo caminho alternativo. Você não é o azarado, mas o azarão. Aquele que virá pela esquerda e ganhará a corrida. Lembre-se disso.
Terceiro passo: voltar atrás não é a mesma coisa que jogar a toalha.
Seguir alguns passos e após alguns quilômetros descobrir que andou na pista errada não é demérito para ninguém. Sinta-se orgulhoso por fazer parte de um seleto grupo de pessoas que têm coragem para recomeçar. Quando se vê nesta situação, pare, medite no primeiro passo e comece tudo novamente.
.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Estamos ficando velhos e ultrapassados
— Olha! Se for por conta do fedor, juro que não fui eu! – prontamente esclareci a situação.
Mas nada! Ninguém comentou absolutamente nada. Apenas um gordinho que estava com a boca suja de picolé que esboçou uma gargalhada meia-boca. Mesmo assim, logo que notou que seus amigos não estavam rindo, tratou de fechar a cara. Fiquei ali parado e com aquele sorriso arregaçado como quem tivesse muito para falar e nada para ouvir... Ledo engano! Falávamos de coisas diferentes. Não existe mais quem gosta de desenhos japoneses. Agora são animes, e ponto final! Tinham até um nome para aqueles que adoravam assistir os desenhos jap... digo, animes que eram os Otakus (cf., nerds que passam 24hr do seu tempo assistindo animes e/ou lendo mangas).
Aos poucos o meu sorriso escancarado foi perdendo força.
— Quando é que vão falar de Jaspion? E do Jiraya?! Ah! Cavaleiros do Zodíaco é de lei, não é? (...) Não é?! (...)
Não, não era... Falavam de Naruto, Fullmetal Alchemist, Bleach e outros que eu nem imaginava que existia. Nessa hora eu já achava que estava sobrando por ali. Só esperava encontrar um momento oportuno para sair da roda. Como não houve esse tal momento, resolvi perguntar aos presentes qual era o melhor anime de todos os tempos. Nada poderia me impedir de fazer esta pergunta. Afinal, com toda certeza, diferentemente das outras áreas, os animes do passado são aclamados até hoje por terem sido percussores de uma geração inteira de ‘desenhomaníacos’. Existe em todos aficionados por animes um sentimento nostálgico que sempre vem à tona quando o assunto é o melhor dos melhores. Sempre haverá lugar para as ressalvas neste ambiente; um verdadeiro combate de conhecimento inútil é travado com ares nostálgicos. Pois bem, voltemos à cena.
— Moçada, me digam qual foi o melhor desenho jap... digo, anime de todos os tempos?
Neste momento um sorriso voltou com força total quando aquele gordinho – que ainda estava com sua boca suja – disse (sabe quando todos param de falar ao mesmo tempo e aquela voz quase sem convicção é ouvida ao fundo? Foi assim mesmo.):
— CAVALEIROS DO ZODÍACO!!!!! – disse o garoto todo empolgado.
— Errr... quer dizer... eu acho... Err... – sussurrou o envergonhado rapaz.
Aproveitando a deixa do garoto, não hesitei em concordar com o guri.
— Boa! Eu também acho que CDZ¹ foi o melhor anime já produzido – agora já estavam na minha praia –. De longe, CDZ é muito melhor que esses desenhos da atualidade! A única coisa da atualidade que é superior ao animes do passado é o gráfico mais colorido e bem mais detalhado. O que é normal, dado o nível de tecnologia da época em comparação ao nível de hoje, né! Aliás, se existe algo para demonstrar que os animes de antes são melhores do que os de hoje é a mensagem de que “a amizade supera todos os obstáculos”. Assim como este círculo de amigos, vocês devem permanecer unidos e fiéis uns aos outros blablabla...
E o discurso continuou por alguns minutos...
Após esse discurso maravilhoso, totalmente inspirado em Luiz Inácio Lula da Silva (SIC), descobri que o tempo verdadeiramente não para, é verdade! Da mesma forma, algumas coisas boas da vida se tornam eternas em nossa mente. Lembra do “que seja eterno enquanto dure / posto que é chama”? É bem por aí. Naquele momento um jovem garoto me fez sentir ainda mais agradecido por ter nascido em uma época na qual os desenhos japoneses traziam uma lição de moral superior, muitas vezes, aos ensinos religiosos. O amor, a verdade, a perseverança, a solidariedade e até o perdão era a tônica desses desenhos. Obviamente que regado a muitas espadadas, socos, raios-lasers, monstros de outras galáxias etc, etc, etc. O que fica realmente é aquele sentimento nostálgico de que a minha geração não foi perdida, ela apenas cresceu! (...) Tudo bem! Ela apenas envelheceu, pois, nem todos cresceram. Alguns ainda ficaram parados no tempo. Fazendo uma força danada para que tudo voltasse a ser como era há 20 anos atrás. Pobres Quixotescos² ! O tempo passa para todos e não há nada que possamos fazer para mudar esta realidade.
Ao contrário de hoje que a programação é feita para agradar o desejo cíclico de violência, os desenhos japoneses mostravam que era possível o bem vencer o mal, ainda que tal luta se estendesse por longos capítulos. Tudo bem! A intenção principal sempre foi o lucro. Enquanto a isso, nada mudou. Mas só sei que as coisas eram bem diferentes. Hoje o mal vence o bem e fica por isso mesmo. Não há nenhum limite moral entre os heróis da atualidade. Tudo é permitido. É por essas e outras que prefiro ficar com a lembrança dos meus heróis do passado. Aqueles heróis que conseguiram fazer com que uma criança comum se tornasse um homem que acredita que o bem sempre irá vencer o mal, demore o tempo que for. Que não existem as batalhas perdidas, mas sim, as batalhas que deixamos de ganhar e perdemos por desistência.
A bem da verdade, a minha intenção era compartilhar um pouco da minha infância com vocês, leitores. Mas acho que este texto serve também como uma reflexão ao fim/início de uma nova Era que estamos presenciando. Estou certo de que o “boom” tecnológico só está no início. A partir de agora, o que puder ser guardado para as novas gerações, que seja guardado! Pois, estamos ficando velhos e ultrapassados, pelo menos para a nova geração. Inclusive o ideal de que o bem sempre vence o mal, mesmo que seja no final (by Sandy & Júnior?!?! - Blergh!).
Um pouco da minha infância para vocês:
"Esquadrão Relâmpago Changeman" - produzido em 1985 no japão, foi transmitido no Brasil pela TV Manchete em 1988. Já apanhei várias vezes da minha mãe por ficar cantando a música de abertura o dia todo... e em japonês!
Acompanhe a abertura: http://www.youtube.com/watch?v=O2fz7xdJ5jM
"Comando Estelar Flashman" - Feito em 1986 no Japão mas exibido em 1988 na Rede Manchete. As músicas deste 'Super Sentai' estava presente em minha infância.
Acompanhe: http://www.youtube.com/watch?v=kDsqJBk6xMg
Simplesmente, Jaspion! O melhor tokusatsu que já existiu. Produzido no Japão em 1986, foi transmitido pela Rede Manchete a partir de 1987.
Confira a abertura: http://www.youtube.com/watch?v=V7OsAyufqaw&feature=fvw
"O incrível ninja - Jiraya". Este, junto com o Jaspion, foi o que mais me marcou. Em especial pela forma em que ele acabava com seus inimigos utilizando de sua 'Espada Olímpica' (katana). Deixarei a abertura e um momento para que possam ver o que eu fazia com os adultos quando estava munido de um pedaço de vassoura na mão.
Abertura: http://www.youtube.com/watch?v=jgopOCnHYkE&feature=related
Episódio: http://www.youtube.com/watch?v=nr5WeNKFboU&feature=related
"Os Cavaleiros do zodíaco" (Saint Seya) Criado no Japão em 1986, só veio ao Brasil em 1994. A sua música de abertura virou praticamente um hino para a nação dos NERDS. Para alguém ser considerado um NERD, primeiramente ele deve saber cantar esta abertura de cor e salteado - ainda fazendo os trejeitos do cantor.
Primeira abertura: http://www.youtube.com/watch?v=WCV74ZtLx6I
Segunda abertura (versão Rede Manchete): http://www.youtube.com/watch?v=LFdC99igXrg&feature=related
Terceira abertura: http://www.youtube.com/watch?v=8cDCWFZiFjA&feature=related
Abertura - pt (Hades - A saga do santuário): http://www.youtube.com/watch?v=Ik97MqwFwPA&feature=related
Abertura - original (Hades - A saga do santuário): http://www.youtube.com/watch?v=nJ00RRJvxDI&feature=related
Abertura - pt (Hades - Campos Elíseos): http://www.youtube.com/watch?v=wci5H18yXqU&feature=related
Abertura - original (Hades - Campos Elíseos): http://www.youtube.com/watch?v=omZGgNX5JnM
[1] Abreviação de Cavaleiros do Zodíaco.
[2]Diz respeito ao livro Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Em sua insanidade, Dom Quixote lutava com moinhos de vento achando que eram gigantes.
sexta-feira, agosto 14, 2009
Neuroses que podem ser curadas
O meu interesse em fazer jornalismo nasceu da constatação do óbvio: só me restou esse caminho. Sem grandes expectativas e sem nenhuma conversão. Ouvi, certa vez, que todos os jornalistas teriam que passar, necessariamente, por uma espécie de chamado especial. Tal e qual a aqueles avistados nas religiões triunfalistas. De certo modo, passei a entender os motivos que fazem do jornalista um ser extraordinário. Encontrei alguns jornalistas que fizeram com que qualquer outra coisa se tornasse desinteressante enquanto este estivesse falando. Isso deve ser bom. Deve significar algo. Mas nenhuma referência, até agora. Sou uma pessoa comum que possui um desejo incomum de conhecer sobre tudo. Para o bem da verdade gostaria mesmo era de ter vivido quatro vidas antes de dizer: “agora é pra valer”. Tentei ser jogador de futebol, mas notei que não tinha tanto vigor - e o principal, conclui que não gostava desse esporte. Tentei ser barman, mas não obtive êxito em ser um eterno personagem “global”. Viajei para o mundo das exatas e caí de para-quedas no nada atrativo universo da Engenharia de Produção. Fui do éter à práxis. Da Filosofia ao Turismo. Busquei-me em todos os lugares, mas me encontrei quando havia desistido de mim mesmo. Achei-me cativo num lugar-comum observando a escuridão e, desta feita, me abastecendo dela.
“Quem combate monstruosidades deve cuidar para que não se torne um monstro. E se você olhar longamente para um abismo, o abismo também olha para dentro de você.”
Friedrich Nietzsche - Além do Bem e do Mal
Questionei a minha existência e encontrei alguns amigos especiais. Amigos que me passaram um pouco de suas frustrações, descobertas, anseios e o principal, pude compartilhar com eles uma intimidade que não havia encontrado em lugar algum. Amigos que passaram a ser mestres em minha vida. Dois eu chamei – e ainda chamo – de messias. O primeiro eu posso apresentar, mas o segundo vou deixar para o final. Como não poderia deixar de ser, para um messias, o Bigodudo¹ me fez mais do que trazer esperança, ele me mostrou a vida. Ensinou-me que os grandes podem até ser imortais, mas não infalíveis como querem alguns poucos que estão lá acima, no alto do seu pedestal. Com quem mais eu poderia compartilhar os meus pensamentos hereges? Não havia ninguém mais. Em um grupo restrito de pensadores contemporâneos, mas que morreram há algumas décadas, eu encontrei uma interação necessária.
Em meio às descobertas, resolvi que deveria buscar conhecimento sobre o divino antes de tentar me conhecer. Para tal, matriculei em um curso Bacharel em Teologia. Nesse meio-tempo, fui pastor de jovens em um segmento cristão-pentecostal durante um ano e meio. Havia descoberto minha vocação. Definitivamente eu estava no mundo para evangelizar. Nada mais. Fui missionário enviado ao Vale do Jequitionha e lá fiquei por oito meses. Não consegui me manter naquela região por mais tempo porque decidiram que já era hora de eu voltar. Afinal, a minha preocupação com o lado humano havia ficado maior do que a preocupação com o lado espiritual e isso incomodou alguns engravatados. Um prato de comida valia menos do que um “Desencapetamento Total”. Um abraço era bem menos importante do que as - vãs - orações ofertadas no quente chão do nordeste mineiro. Acabei voltando para casa com um vazio ainda maior do que antes.
Quando retornei à Beagá, não era mais aquele cara que havia saído cheio de esperanças. Em nada lembrava aquele rapaz que encontrou respostas para tudo em apenas quatro letras: D-E-U-S. Este ser divino representava a morte de qualquer pergunta mais elaborada. Mas não agora. Voltei ao início e desta vez com uma sensação de fim de jogo.
“Não pretendo ser feliz, pretendo ser verdadeiro”
Friedrich Nietzsche
Por conta das minhas dúvidas, cheguei ao ponto de negar a Fé como certeza incontestável. Dizer que todas as transições foram encaradas com naturalidade é bazofiar uma grande mentira. Afirmar que a mansidão esteve presente em todos os momentos é desmerecer o desespero que volta e meia tomava conta de meus pensamentos confusos. Não precisa nem dizer que sou uma pessoa agitada. Nem preciso justificar os meus muitos copos de cafés que tomo ao longo do dia. Parece que estou correndo atrás de um tempo perdido. Um tempo que nunca tive, mas que me parece real. Antes mesmo de falar das habilidades, seria mais justo continuar listando algumas deficiências: sou estressado, tenho DDA/TDAH², ajo com ingênuidade para muitas coisas, indeciso, curioso e apaixonado. Muitas outras deficiências ficarão subentendidas quando se compreende o que é TDAH. Apesar de ser relevante, deixarei este assunto para que possa ser pesquisado, valerá a pena.
Apesar de tudo, a humanidade me fascina. O ato de ser demasiadamente humano e obter gozo em reconhecer meus limites, bem como minhas superações, me traz aquela boa sensação de estar vivendo. Gosto de me sentir útil quando todos já desistiram. Vou além do que está escrito e nunca me contento com o básico – não é propaganda falsa. Chego a perder o interesse quando não me sinto desafiado e/ou fascinado. E isso aconteceu muito. Isso irá acontecer muito. Estou no meio acadêmico desde o ano 2000. Não terminei nenhuma graduação, mas me especializei em todas. Uma mescla entre autodidatismo com decepção. Tudo isso teve o seu lado bom, pois, aprendi que a decepção é proporcional à expectativa. Hoje, apenas vivo. Sou humano e consigo reconhecer a humanidade em todos. Sendo bastante direto, deixo uma lista de algumas habilidades minhas: DDA/TDAH, ingênuo para muitas coisas, companheiro, verdadeiro, curioso e apaixonado. Algumas deficiências se tornam habilidades em certos momentos e vice-versa.
“O homem pode se livrar de uma neurose, mas não pode curar-se de si mesmo”
Jean Paul Sartre
Antes que me esqueça, aprendi sobre neuroses que podem ser curadas com meu outro messias, Jean Paul Sartre. O ruim é ter chegado à conclusão de que somos quem podemos ser. Disto, nem os mais hábeis poderão escapar. A dor (ou o prazer) de ter que conviver consigo mesmo é algo imutável. É algo divino!
Prevendo que este Memorial fique ainda mais extenso, tentarei ser mais direto daqui para frente – posto que até agora me senti livre para seguir qualquer caminho.
Tracei um objetivo profissional que está aberto às futuras mudanças. Estipulei, sem qualquer expectativa, que deveria ter uma base. Essa base seria o Jornalismo. Com o título de bacharel, irei prestar concurso na área da comunicação. Nesse meio-tempo iria propor uma tese para ser defendida ao nível de stricto sensu (Mestrado/Doutorado). Após estar devidamente titulado, encerraria minha vida acadêmica ofertando, assim, todo o meu conhecimento à geração porvir.
Espero não ter sido prolixo demais. Acredito ter acertado na escolha do Jornalismo como objeto a ser estudado. Isso só o tempo dirá. Até lá, deixarei de ser Jornalista para ser um satisfeito saudosista. Não desejando ter feito milhões de outras coisas, mas pelo fato de ter sido um grande íntimo da comunicação. Alguém que, assim como Fernando Pessoa, soube dizer com alegria: "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo”. O castelo será construído. Quando, onde e por quem, não sei.
“Não importa o que fizeram com você, e sim, o que você fez com aquilo que fizeram com você”
Jean Paul Sartre
¹ Apelido aferido à Friedrich Nietzsche por conta do seu volumoso bigode.
² TDAH - Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou DDA - Distúrbio de Déficit de Atenção (com ou sem hiperativade). Vídeo explicativo no Youtube. Pesquisar: “Jo Soares TDAH(DDA) - Ana Beatriz Silva”.
quarta-feira, junho 24, 2009
As Minhas Testemunhas
Divinamente diabólica!
Não há outra forma de definir o que é belo. Como numa tentativa desperdiçada, torço para que ao fim de minhas palavras eu possa fazer jus ao que vi. Sem ir além nem aquém. Lembro-me da noite em que a vi pela primeira vez. De longe, as suas curvas, não tão magras, roubaram parte de minha lucidez. Perdi-me em meio ao desejo de sentir o cheiro de seus loiros cabelos. No entanto, me encontrei no momento em que pude ouvir sua voz, tal e qual o melhor soneto já apreciado. Senti minhas pernas trêmulas e minhas mãos choravam de tristeza por não poder tê-la entre elas. Mas ainda não é chegada a hora. Antes precisava conhecer o rosto daquela que prometia agradar até o mais rígido epicurista. Fui mandado ao céu no momento em que ela resolveu compartilhar um pouco do seu olhar comigo. Mas voltei, imediatamente, para não perder momento algum. Senti-me como Da Vinci quando esteve, pela primeira vez, apreciando sua melhor obra. Posso compreender como a sua mente, acostumada com o belo, tentou transmitir em palavras aquela grande sensação que lhe acometia. Mas sem nenhum êxito.
– Oi! – disse a linda moça, quase sussurrando.
Não sabia o que fazer e nem o que dizer, pois, até sua voz parecia estar confirmando sua perfeição.
– Olá! Tudo bem? – foi o máximo que eu consegui responder sem gaguejar.
Apesar do medo que havia tomado conta de meus pensamentos, decidi que não iria sair daquele lugar sem a conhecer. Parei de frente a ela e esperei o momento certo em que iria conhecê-la melhor. Tarde demais! Segundos se passaram desde o primeiro momento em que comecei apreciar seu rosto.
– Você está bem? – Foi a única frase que consegui ouvir (como se estivesse há milhas de distância).
– Sim, estou! – respondi, enquanto meus pés – trêmulos – decidiram que iriam procurar um lugar para se esconder, antes que eu viesse a desabar no chão.
Por esta noite, não tentei nenhuma outra aproximação. Não queria que ela pensasse que minha vida já estava ganha e perdida. A partir daquele momento, não haveria vida sem que ela estivesse comigo. Mas ao lado dela, poderia viver; teria a vida no qual falavam os apaixonados. Mais uma vez me perdi em meio aos meus pensamentos, ora de paz, ora de medo, tentando não deixar com que a imagem de seu olhar me deixasse viúvo.
Como se fosse uma aprovação dos deuses, pude encontrá-la novamente. Agora com seus cabelos curtos; rente ás orelhas. Linda como sempre. Não era mais noite. Os raios do sol tocavam sua face feminina fazendo com que os pequenos movimentos tivessem uma dimensão centenas de vezes maior do que realmente era. Tinha de ser hoje! Como havia me preparado, reservei-me o direito de recitar as palavras do mestre poeta como se fossem palavras de comando:
“Aí que o meu sentir vago e profundo
O seu lugar exterior conheça,
Aí durma em fim, aí enfim faleça
O cintilar do espírito fecundo.”
Nada poderia dar errado! Iria dizer o quanto sonhei com este momento. Iria dizer que mesmo não a conhecendo, “a mim ensinou-me tudo”. Mesmo percebendo tudo em minha volta, “ensinou-me a olhar para as coisas”. Ensinou-me que eu poderia sonhar com o belo. Que poderia o desejar. Ensinou-me a amar.
Caminhei até ela sem chamar atenção. Queria continuar observando cada detalhe seu enquanto me aproximava. Em sua mão direita encontrava um cigarro aceso que de tão insistente, não deixava cair sua cinza. Com sua mão esquerda, ajeitou o seu lindo cabelo atrás da orelha enfeitada por diversos piercings. E com os pés entrelaçados, resolveu alongar seu lindo corpo como quem realmente conhece o seu potencial. E foi neste momento que pude conhecer quem você realmente era.
Uma grande conquista para uma vida curta. Sim! No dia anterior eu havia conhecido aquela que faria toda a diferença em minha vida. Não se trata de saber apenas o nome, mas de perceber que em meio às várias qualidades aparentes, havia nela várias outras qualidades que, para mim, já era extinta.
Soberba? Não! Isso ela nunca soube o que é. Ganância? Não! Ela já conhecia a felicidade no pouco. Luxúria? Acho que não! Apesar de tudo, sua mente a enganava. Nunca soube o seu verdadeiro valor. Era como uma criança com uma arma na mão. Desconhecia o próprio corpo e era enganada por sua mente. Triste sina, caso este relato tivesse chegado ao fim neste ponto. A verdade é que o seu amor pela vida me contagiou. A sua alegria de vida trouxe refrigério para minha alma doente. E por tudo o mais, sou-lhe grato.
“O mundo é um sepulcro de tristeza”, mas não hoje! Não me permitirei desejar a morte. Pelo menos enquanto você estiver aqui. Agradeço aos céus, ao acaso, aos antigos espíritos, aos deuses, ao deus, o Deus por ter-me feito encontrar com o “Viajeiro do Amor”. Agradeço por ter dito tanto sobre o amor e as suas formas. Agradeço por não ter me deixado desistir. Como um bom discípulo que fui, acompanhei apreensivo cada instante que antecedeu o dia em que pude, enfim, ter o grande prêmio. O nome do prêmio ainda não direi. Só sei que nada me fez tão feliz. Nada me fará mais feliz. Como o poeta da escuridão, hoje posso dizer sobre a “agonia de amar”, que tive, que se tornou numa “agonia bendita”.
Que tudo se mantenha como está, para que eu possa falar como poeta e fazer de lindas palavras – necessárias palavras – minhas testemunhas de que este momento descrito aconteceu da forma em que se apresenta. Tudo isso para que, em um futuro próximo, minha realidade possa se mudar para um desses fantásticos poemas de Fernando Pessoa, onde a chama do amor sempre será imortal. Assim como este pequeno grande momento que vivi. Desejo que minha vida se torne como este poema que virá encerrando este relato. Com as devidas mudanças minhas.
“Ela mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ela é a Eterna Criança, o deus que [me] faltava.
Ela é o humano que é natural.
Ela é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza”...
qual é o nome da perfeição. Ela atende pelo nome de moça.
Fernando Maximiano
quarta-feira, abril 08, 2009
Avós mineiras são as melhores!
Fernando Maximiano
Avós são avós em todo lugar, mas nenhuma avó se compara com as avós deste lugar... Eiiita Minas Gerais!! Obrigado por ser berço de algo tão valoroso para nós... e obrigado por ensina-las o doce jeito mineiro de serem avós!
sexta-feira, março 27, 2009
Eu, apenas mais um mero viciado
Bom, conto com a ajuda de vcs para que eu possa conseguir resistir a mais estas drogas em minha vida... Só, por gentileza, não me venham com abraços coletivos! Grato! Bom, se for mulheres tudo bem!
Ps.: Que minha namorada não leia o meu blog...
.
segunda-feira, janeiro 26, 2009
Diabolicamente divina!
Ainda que seja apenas em sonhos, em meus melhores sonhos... onde a fantasia me conforta e o meu peito não sente a dor agonizante que tanto me assola.
Horas se passaram desde o primeiro momento em que comecei a apreciar o seu rosto. Me perdi em meio aos meus pensamentos, ora de paz, ora de medo... mas ainda sim, não tive coragem de tecer alguma definição acerca da beleza que eu avisto em ti. Sinto-me como Da Vinci quando esteve, pela primeira vez, apreciando sua melhor obra. Posso compreender como a sua mente, acostumada com o belo, tentou transmitir em palavras aquela grande sensação que estava sentido, mas sem nenhum êxito.
(...)
Quem és? Quem és tu que sorri como menina, mas que seduz como mulher? Quem te ensinou a grande arte de ser divinamente agradável e diabolicamente irresistível?
(...)
Me perco mais uma vez em meio aos meus pensamentos tentando compreender o que se passa; tentando tomar uma decisão. Decisão esta que me divide entre duas situações possíveis, mas, que a cada dia tende a ficar mais claro. Peço ao adorável anjo que tenha piedade de minha vida, mas que não me deixe ir... que entre em minha vida, mas que não viole a minha existência... que faça de mim segundo lhe aprouver, mas não tente mudar apenas o que não lhe agrada... que lute! Que vença!
Não sei por qual motivo eu escrevi tudo isso. Apenas, escrevi. Deixei as palavras saírem para que, de alguma forma, elas possam encontrar em ti algum sentido, pois, pela minha razão, elas ainda não fazem sentido algum.
Que tudo lhe vá bem, minha doce e meiga moça...
Fernando Maximiano
.
terça-feira, novembro 04, 2008
belo dia de sol...
•
Seu olhar jovial conforta-me e consegue, ainda que por um instante, me fazer lembrar da beleza infinita que outrora havia ouvido falar.
•
A sua energia é tal qual um elixir de boa esperança que faz com que todos em sua volta apressem-se em viver cada momento como se o amanhã não fosse existir.
•
A sua emoção... esta sim! Merecia estar em destaque nos mais famosos conservatórios artísticos espalhados pelo globo, pois, não há quem a conheça e não queira prosseguir em conhece-la...
estar, tão somente ao seu lado, para que o tempo deixe de ser tempo para se transformar em um momento afável, num misto de alegria, delicadeza, carinho e amor.
•
Em suma, o que te faz ser diferente não é aquilo que cerca o meu campo de visão, nem tanto o que você pode oferecer, mas algo maior do que tudo isso: a figuração do amor que facilmente observo em todos os seus atos.
•
Se houve algo para se aprender e ser ensinado nos dias em que te conheci, a minha única certeza é a de que aprendi mais com você do que ensinei.
•
Aprendi que os pequenos detalhes fazem maior diferença quando são autênticos, aprendi também que somos responsáveis por aquilo que cativamos, e olha que eu já tinha escutado da boca da melhor criação de Exupéry...
•
Enfim, alguns exercícios que carregarei enquanto a minha lucidez assim permitir.
•
Só espero que com a mesma pureza com a qual você me recebeu em seu coração, você possa manter-me por lá.
•
Com a mesma verdade na qual nos conhecemos, você possa se manter. Pois, eu, ainda que me digam o contrário, continuarei acreditando em anjos... continuarei acreditando em você, pois, você, meu anjo, é a única e necessária prova que eu necessito para manter a esperança de uma vida plena, segundo tudo o que de mais belo possa existir na face da terra.
•••
Sem mais, amo-te! Porquanto tu és...
segunda-feira, setembro 29, 2008
Política de cotas, inclusão ou discriminação?
Por conta das injustiças promovidas durante os séculos da construção do Brasil, instituíram uma política de cotas que privilegia os supostos subcidadãos, como as mulheres e os negros, e os supostos subumanos, como os índios. Tal política nasce como forma de sanar um problema que é bem mais complexo do que tentam passar para a sociedade e bem mais simples de se resolver do que se imagina. Muitos podem até pensar que esta é a única forma de evidenciar o mal que há muito acomete o povo brasileiro: a discriminação. Porém, como forma de sistematizar este assunto, limitarei ao assunto da política de cotas.
Partindo da premissa da Ética, o principio discriminatório destas cotas é o mesmo que tornou necessária a discussão sobre este tema tão urgente e salutar; favorecendo uns poucos em detrimento de outros muitos, ou seja, os meios não importam desde que se obtenha o fim desejado, ou pelo menos, que se chegue o mais perto possível do final proposto. É o trabalhar tendo como meta a aplicação de paliativos que no primeiro momento pode até ‘resolver’, mas que ao passar do tempo, pouco tempo, vem à tona como mais um capítulo da triste novela conhecida por todos como sendo “Eu finjo que faço e vocês fingem que acreditam”.
O que precisamos entender é que todas as ações tomadas no agora voltarão para nós, ou nossos filhos, com a mesma intensidade com a qual foram feitas; que o tamanho da nossa decepção é proporcional ao tamanho da nossa expectativa. Desta forma o debate exaustivo é a única solução para este assunto, onde a expectativa encontrará a luz da discussão e com ela a melhor forma de agir será vislumbrada e posta em prática.
É evidente que alguma coisa deve ser feita, porém, ignorar a Ética é abrir mão do único artifício que legitimaria a discussão e o trabalho em prol de um Estado eficaz para todo e qualquer cidadão independente de classe, gênero, cor, etnia ou religião. Como é sabido, o centro da Ética é a vida, e é por isso que toda política deve antes passar pelo crivo da Ética antes de ser promulgada como sendo a solução.
Fernando Henrique Liduário Maximiano
domingo, agosto 05, 2007
Moça...
Mais um dia, mais uma noite, mais um tempo... outro tempo. Chego a pensar que o tempo é o contratempo de quem anseia por amar... de ser amado... de sentir... de doar... de ser completo e de completar.
Porém, no instante em que puder tê-la em meu peito aflito, tornar-me-ei a reconciliar com as horas, com os dias, com os anos... pois, o melhor tempo de minha vida, se fará ao descanso de seus braços, aonde poderei assentar minha face em meio a seus seios e sentir o pulsar suave e verdadeiro de alguém que tardou, mas que achou o verdadeiro amor... e ali, somente ali, poderei sentir-me seguro.
Meu anjo, não pense que falo tais coisas por querer uma conquista, pois, o que é uma conquista em vista do verdadeiro amor? Estaria, eu, errado por relatar em palavras aquilo que sinto em meu âmago? Andaria mais uma vez enganado por caminhos torpes sem tentar lhe fazer feliz? Como não ousar ser feliz ao lado de quem promete resgatar-me do mar de ilusão em que tenho vivido? Não... não pode privar-me de amar... antes, retire todo o ar que tenho para respirar! Rasgue o meu peito com um punhal e não permita que eu viva sem que você não esteja ao meu lado!
Ata-me a base de um foguete e me mande para o infinito, aonde poderei ter uma pequena noção daquilo que eu não pude sentir estando junto a você.
O que pode haver de mais valioso no homem do que a sua musa inspiradora? Seria como negar ao homem a sua fonte de vida, negar suas virtudes incontestáveis, negar o fato de viver para fazer-te uma mulher feliz... o que passar disso ou o que for aquém, não é digno de viver... sendo assim, respiro para manter as funções vitais em perfeita harmonia e assim poder fomentar lisonjeiramente palavras doces tal qual tu és. Encerro-me na expectativa de poder um dia tanger lindos acordes de júbilo em honra a sua estontiante beleza com que me cativaste em apenas um instante, porém, ecoará por toda a eternidade.
Moça, se te gosto, é porque tenho motivo para tal... e se lhe desejo, é porque quero te sentir ligado a mim, até o fim... Beijos, do seu, do sempre seu, Amor.
quarta-feira, junho 13, 2007
Pensamento poético...
Bom, poderia dizer que você é linda... mas estaria sendo redundante em meus dizeres.
Poderia dizer, simplesmente, que você é uma pessoa feliz... mas não poderia nunca, sequer, medir a sua felicidade apenas por sua simpatia, seria um equívoco.
Poderia, então, suscitar uma idéia relativamente utópica e nos conformes de sua vida loka... mas, ainda sim, não compreenderia toda a sua loucura a ponto de descrevê-la.
Poderia, talvez, tentar defini-la tangendo lindos acordes musicais... mas ainda sim, esbarraria na imperfeição das 7 notas musicais. (...)
Enfim, tenho somente a dor da espera de um dia poder emitir um senso quanto ao que poderia defini-la... ainda que este dia chegue, prefiro não atentar-me a esta luta quixotesca, pois, defina-la, seria uma tentativa errônea de limitar o que é ilimitado... compreender o incompreensível... balbuciar o que ainda não foi ouvido... Para tal, não farei uma limitação quanto a perfeição que lhe é presente.
Pensamento poético feito para uma grande pessoa.
Deus está fora do Espaço-Tempo
Mas na verdade, um exame mais atento notará que doutrinas deterministas são tão antigas quanto a humanidade, e na verdade até muito mais fortes em contextos extremamente afastados da tradição científica e filosófica. Por isso o Determinismo de teor cientificista esta condenado a ser sempre uma assertiva não sujeita a comprovação. O mesmo porém não o ocorreria com o Determinismo de teor Místico, para o qual há propostas de Seres que podem sim saber todas as informações necessárias para prever qualquer evento no Universo da mesma forma como um computador pode saber os resultados futuros de um processo de dados do tipo jogo virtual de bilhar.
Se há um ser OMNISCIENTE, esse ser tem total conhecimento de todos os eventos, inclusive detalhes de cada mínima partícula, podendo então saber tudo o que acontecerá e aconteceu, e se é OMNIPOTENTE, nem mesmo a aleatoriedade do mundo quântico seria obstáculo para tal ser, pois ele teria poder sobre cada nano evento.
Sendo assim, é forçoso admitir que tal ser controlaria com total precisão cada ínfimo detalhe da realidade, ainda mais sendo este ser ETERNO, pois sequer precisaria calcular qualquer evento futuro, tais eventos já estariam prontos.
Sendo assim, um Deus ONISCIENTE e ONIPOTENTE é a mais radical e extrema forma de Determinismo. Seria o Destino Imutável em si, manifestado em sua própria essência, e conseqüentemente, incompatível com qualquer idéia de Livre Arbítrio
"Se sendo Sapiente não se pode pecar, logo quem peca não é Sapiente, sendo insciente. Deve este ser punido por ainda não ser Sapiente, se não recebeu instrução?" (...) Esta foi uma das questões que Agostinho levantou na questão Pecado X Livre-arbítrio...
Não se trata de querer agir como Hércules ao resgatar Prometeu. Ou sim?
A idéia é, uma vez que não somente Santo Agostinho como nenhuma outra pessoa jamais foi capaz de propor uma solução clara e satisfatória para conciliar o Livre Arbítrio com os OMNI atributos divinos, bem como conciliar as idéias de Círculo e Quadrado, resta por força da lógica, optar por um ou outro uma vez que não se esteja obrigado a aceitar uma profissão de fé que exija a sustentação das duas.
Calvino optou por preservar os Omni atributos, destruindo o Livre Arbítrio com a doutrina da Predestinação. Eu não posso dizer que concordo plenamente com as idéias de calvino... poderia dizer que concordo com algumas coisas de 'cada' pensador que estão sempre em questão,a saber Calvino, Arminio e Agostinho. Estes possuem idéias interessantes, mas as suas idéias não são perfeitas e acho que uma, de uma certa forma, completa a outra! Poderia dizer que antes de conhecer a Jesus eu era Arminiano e agora que fui constituído como filho de Deus, vejo que sou Calvinista (hehehe)... em contra ponto, sou também Agostiniano!
Remover a perfeição de Deus não poderia ser mais simples, basta subtrair o mesmo elemento que inviabiliza o Livre Arbítrio, que é tão somente a ONISCIÊNCIA, Absoluta, que Santo Agostinho geralmente chama de Presciência, ou Onisciência Futura, mas esse termo é omisso quanto a "Ciência" do Presente e Passado, e não especifica a amplitude de tal Presciência, por isso, creio que o simples termo Onisciência, se tomado em seu sentido máximo, implica necessariamente em "Ciência" total atemporal.
Citações de autores desconhecidos por mim.
Artigo fomentado em meados de junho de 2006.
O Homem Sendo Homem
Este artigo não se propõe a retomar reflexões específicas de nenhuma área em especial, mas sim, discorrer acerca do início metafísico do grave problema que vem a memória quando este assunto é mensurado, e sendo assim, longe de ter a pretensão de ser a discussão final sobre tal assunto, mas, fomentar uma reflexão pouco anunciada nos círculos do saber e, sobretudo, abrir uma nova série de pensamento sobre este assunto que requer uma atenção especial.
Muito se é falado sobre meio ambiente em nossos dias. Sendo debatido em várias instâncias de acordo com a finalidade de cada preletor. O terror de ter que viver em um mundo devastado pela ação humana está presente em nosso meio como a uma praga, que insiste em querer anunciar aos quatro cantos do mundo, que a situação é ainda mais grave do que pensávamos.
De acordo com a significação, em uma forma sucinta, meio ambiente é o que abriga e rege a vida em todas as suas formas. Desta maneira, facilmente é esquecido que tal expressão engloba não somente a ecologia, mas uma série de fatores que faz com que a vida siga o seu curso sem enaltecer ou diminuir nenhuma parte que forma tal meio. Antes de qualquer coisa, deve-se compreender um detalhe que pouco é explorado em uma reflexão deste porte. Ao invés da reflexão partir do início, a maior parte dos pensadores querem achar a problemática em seu final, ou seja, “o que fazer para mudar esta situação”, quando deveriam se perguntar “onde teve o início de toda esta situação já conhecida”.
É sabido que o povo brasileiro não tem o hábito de tratar bem o meio em que está e partindo desta premissa, uma breve explanação se faz necessário.
O Brasil é um país que professa a crença nos conformes do cristianismo, sendo assim, para entender como funciona o pensar do brasileiro, deve-se compreender como o cristianismo trata tal assunto em todos os seus momentos, seja no início quanto na contemporaneidade.
No início da cristandade, muito se falou em uma volta eminente do Salvador[1], que viria resgatar aqueles que reinariam com ele no paraíso, segundo a passagem de Hebreus 10:37 que diz: “Pois ainda em bem pouco tempo aquele que há de vir virá, e não tardará”. Fato que levou os fiéis a se importarem, apenas com a volta do Salvador que os levariam para o paraíso, despojando-se de seus bens e tudo o mais que julgavam supérfluos, assim como é apresentado em Atos 2:45: “E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um”. A possibilidade que trouxe esperança para toda a cristandade foi à mesma que os levaram a não ligar para as suas vidas quantos seres viventes e pertencentes ao meio em que vivem.
Com o passar dos tempos, a esperada volta do Salvador não aconteceu, abrindo precedentes para um cristianismo institucionalizado e comandado por pessoas que, até então, estavam acostumadas a fugirem para que suas vidas não fossem ceifadas por declararem uma crença segundo o cristianismo. O que fez com que o cristianismo passasse para uma nova etapa de sua existência, a saber, “Como evangelizar as pessoas e fazer com que a esperança do retorno triunfal de Cristo não fosse esquecida”. O que nascera com um propósito íntegro, culminou em uma disputa de interesses que acabou tendo conseqüência no magistério cristão. Não ensinava mais um cristianismo bíblico, mas um cristianismo que forçava a pessoa a aceitar tal crença com o risco de ser lançado no inferno cristão[2], onde nasceu a famosa frase: “Quem não vem pelo amor, vem pela dor”.
Como se já não fosse suficiente, uma nova compreensão sobre o paraíso alastrou-se por toda a cristandade, em seu início. A idéia de que esta terra seria destruída e que uma outra terra seria construída pelo Salvador para os que quisessem ter com ele no gozo da eternidade. Tal idéia encontrou uma forte aceitação em meio a maior parte da cristandade, pois, era embasada segundo o livro de apocalipse no capítulo 3:12, onde diz:
A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, donde jamais sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome.
E ainda, no capítulo 21:1 que reitera esta idéia: “E vi um novo céu e uma nova terra. Porque já se foram o primeiro céu e a primeira terra, e o mar já não existe”.
No século XVI, esta idéia ganhou formas e contornos um pouco menos irreal com o surgimento da linha de pensamento comumente chamado de Calvinismo[3], que ganhou força por afastar o medo do inferno cristão que imperava entre os cristãos. De fato, toda a maneira de pensar sobre a vida e tudo que engendra por ela foi modificado com este pensamento.
Chegando a pós-modernidade, ser cristão virou sinônimo de uma busca pela espiritualidade que há muito se perdeu. Esta busca é marcada por uma metodologia em que não é a favor da vida planetária. Cada um é senhor de seus caminhos e a maioria esmagadora, ao contrário do de Atos 2:45, não ligam para o outro e nem que rumo a sua vida irá tomar caso ele não estenda a mão para uma ajuda.
Em pleno século XXI, a falta de consideração ao meio ambiente não é mais ditada pela religião, mas sim, pela cultura que absorveu a parte negativa desta religião fomentada por pessoas que não conheciam o impacto que culminaria em nossos dias. Pois, esquece-se que no livro de Gênesis 1:28, Deus fala ao homem:
Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
Mas se esquece que logo após, Ele deu também o exemplo a ser seguido no mesmo livro, no capítulo 2:15 que diz:
E tomou o SENHOR Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar.
Por fim, como diria Thomas Hobbes, "Homo homini lupus[4]". Fato que não pode capacitar a ninguém a viver em uma passividade quanto a este sério problema que se encontra a ser pensado. Segundo reza a Constituição Federal do Brasil, este chamamento para uma reflexão/ação sobre o que fazer para mudar o panorama em que se encontra o meio ambiente é tanto um direito quanto um dever de cada um.
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações” (Art. 225 da Constituição Federal).
[1] Segundo a tradição Cristã, o Salvador é apresentado na figura de Jesus de Nazaré. Sendo ele, a segunda pessoa da Trindade.
[2] Segundo a tradição Cristã, o inferno é um lugar de tormento onde os que não aceitaram Jesus como messias iriam passar toda a eternidade como punição desta má escolha.
[3] Uma vertente do protestantismo cristão que cria a predestinação do homem, ou seja, as coisas só acontecem porque Deus já havia determinado, sendo assim, não cabe ao homem a preocupação do dia de amanhã.
[4] Traduzindo para o português, segundo Fernando L. Maximiano, “homem é o lobo do homem”.
terça-feira, abril 10, 2007
Crítica ao ato de filosofar
Para que uma reflexão seja, de fato, filosófica, deve ser radical, rigorosa e de conjunto.1 Radical porque a situação a ser investigada deve ser posta em termos radicais, ou seja, ela deve ser investigada de maneira exaustiva. Rigorosa porque não pode ser feita de maneira dispersa. Para ser filosófica, deve-se seguir um rigor determinado, levando-se em consideração as conclusões da sabedoria popular e as generalizações da ciência. E deve ser de conjunto no sentido de que não deve ser parcial, tendenciosa, mas sim, levando em consideração os aspectos do contexto em que está inserida2. E quando se é levado em consideração o contexto em que está inserido, o ato de filosofar se torna demasiadamente doloroso para alguns.
Na historia do nosso país, avistamos com muita propriedade o quanto o ato de filosofar pode ser relativamente prejudicial a algum grupo em especifico. As sociedades pragmáticas e consumistas criaram modelos de escolas tecnicista que baniu a filosofia dos currículos, depurando-as das escolas. A resolução, hoje, é produzir pessoas passivas, homens sem consciência de cultura, arte e outros, preocupado apenas com os fins propostos por uma aculturação alienante.
A filosofia propõe a busca do sentido mais profundo das coisas. Embora alguns pensem que este ato possa ser demasiadamente complexo, o simples ato de inquietude do homem, diante da vida, já o faz ser um filósofo. Claro, não querendo desmerecer nenhum profissional graduado, mas simplesmente tentando esclarecer que, a filosofia, além de ser essencial, ela é intrínseca ao homem sapiente. É justamente a filosofia despertando neste individuo, na forma de uma insatisfação diante das respostas que a sociedade dá para justificar algumas respostas tidas como irrevogáveis pela sociedade.
A filosofia, sobretudo, deveria ser conhecida como o real
significado do seu nome, a saber, philos-sophos, ou seja, amor à
Sabedoria, mas amor pelo que ela é, não pelo status na qual ela
remete ou a outros significados encontrados no dia-a-dia. Amor a
uma busca de respostas consistentes e no caminhar desta busca,
descobrir que, junto às respostas, vem outras perguntas que
juntamente com a questão originária, tende a ser respondida. A
questão é que cada nova resposta se torna uma possível pergunta
para quem não se aquieta perante uma questão sem solução.
Como foi dito pelo filósofo Gusdorf, “...a história atesta a
regeneração constante da reflexão, para além de todas as
tentativas de a liquidar”, o ato de filosofar não pode ser detido,
muito menos erradicado, enquanto tiver um homem que pensa e
que se inquieta perante a sua vida e em relação ao que está em
sua volta.
10 fatores a favor da saúde encontrados na Carta da Terra
Em ressalva, a Carta da Terra é de uma importância incomensurável para a humanidade. Cada um deveria ficar incumbido de repassar os dizeres nela contido para o maior número possível de indivíduos. Além de tratar a situação planetária da Terra, ela se presta a salientar sistematicamente fatos individuais, como é o caso da saúde. Sabemos que a Terra providenciou as condições essenciais para a existência e a manutenção da vida nela contida. Cabe aos seres humanos a preservação de uma biosfera saudável com todos os seus ecossistemas igualmente preservado.
É comumente sabido por todos que o primeiro passo para se manter a saúde intacta, assim como foi explanado pela Carta da Terra, primeiramente é o de impedir o dano causado ao meio ambiente e a todos os recursos naturais nela contida. Com este pressuposto, pode ser levantada uma lista de argumentos preponderantes que viabiliza a discussão sobre o fator da saúde dos povos e/ou mundial em relação à saúde brasileira na atualidade.
Como toda a espécie tem o seu papel fundamental no ciclo da vida, a preservação da diversidade biológica, seja ela vegetal ou animal, é de suma importância para manter a saúde mundial sadia. Sendo assim, se faz necessário à solicitação da recuperação de espécies e ecossistemas ameaçados, exigindo o controle e a erradicação de organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente e prevenir a admissão desses organismos nocivos.
No que diz respeito ao uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e a vida marinha, o manejo de ser de uma forma que não exceda as taxas de regeneração. Quanto aos recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis, a utilização deve ser levando em conta a diminuição da exaustão e para que não causem danos ambientais graves.
Ademais, outro passo importante é ser contrário a toda e qualquer forma de poluição em qualquer parte do meio ambiente. Reduzindo, reutilizando e reciclando materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos. Impedindo o aumento das substancias radioativas, tóxicas ou outras substancias perigosa. Desta feita, os recursos naturais renováveis seriam poupados de uma abrupta e violenta violação em seus preceitos originais.
Outro fator que deve ser levado em consideração é a reprodução de indivíduos de maneira irresponsável. A Carta da Terra tem como proposta a garantia ao acesso universal à assistência de saúde que promova a saúde reprodutiva de modo sadio e a reprodução responsável. Garantindo que os indivíduos criem suas proles com o mínimo de dignidade e segurança.
A preservação do conhecimento tradicional e a sabedoria espiritual professada em todas as culturas, que contribuam para a proteção ambiental e do bem-estar humano, devem se tornar realidade. Levando em consideração que uma das grandes evidencias da pós-modernidade é justamente o grande número de conhecimento adquirido, sobretudo, é também evidenciado pela falta da saúde mental cada vez mais prolixa na humanidade atual.
A garantia de que as informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informações genéticas, deve ser assegurada e deve ser de domínio público. O que trará uma vida de mais abastança para indivíduos, seja em na velhice, quer seja em casos de enfermidades.
A garantia do direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais de maneira racional e responsável, é também umas das propostas que a Carta da Terra interpela perante a toda humanidade.
Enfim, gestos como, equipar cada ser humano de educação e recursos para assegurar a sua subsistência sustentável, proporcionar seguro social e segurança coletiva para todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria, deveria ser uma meta a ser almejada por todos no mundo. A erradicação da pobreza, a garantia das atividades e instituições econômicas de forma a alcançar o desenvolvimento humano sustentável e eqüitativo, a defesa dos direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, eliminar a corrupção, tratar todos os seres vivos com respeito e consideração, promover a cultura de tolerância mutua, a não violência e a paz, faria com que a vivencia quanto cidadão do mundo fosse evidenciado pelo oposto da nossa realidade atual.1
1 Carta da Terra.
Ética, direito à vida.
A declaração Universal dos Direitos dos Homens assim como o artigo 5º da Constituição Federal assegura que os homens são iguais perante a lei, tanto em dignidade quanto em direitos. A constituição que rege a República Federativa do Brasil de 1988, por sua vez, põe como um dos fundamentos da República “a dignidade da pessoa humana” (art. 1º - III). Este fundamento deveria ser apresentado como o fundamento do Estado brasileiro e não apenas como um dos seus fundamentos.
A teoria fundamental dos direitos do homem funda-se, necessariamente, numa antropologia filosófica, ela própria desenvolvida a partir da critica aos conhecimentos científicos acumulados em torno de três pólos epistemológicos fundamentais: o pólo das formas simbólicas, no campo das ciências da cultura; o do sujeito, no campo das ciências do individuo e da ética; e o da natureza, no campo das ciências biológicas[1].
Enquanto os países recompunham-se da terrível segunda grande guerra mundial, a humanidade viu-se em uma situação de desconforto perante tamanhas barbáries que haviam sido cometidas no período da guerra. Após este instante contemplativo da humanidade, criou-se o instrumento ético de controle social do comportamento – declaração dos direitos do homem[2]. Fato que influenciou no desenvolvimento do artigo 5º da constituição federal – “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, a igualdade, à segurança e a propriedade”. Embora seja de fato um grande passo para a humanidade a criação dos direitos inerentes à própria humanidade, a grande maioria ainda sofre por não conviver com os benefícios desta declaração. Ainda que a constituição federal apresente como direito principal o direito à vida, de fato isso não é avistado em grande parte da população mundial.
A humanidade, hoje, é dividida em duas partes: a primeira parte é onde avistamos a menor parcela da humanidade, que podem ser definidos como sendo de fato humanos. A segunda parte é onde avistamos a grande parcela da humanidade, e que tem como característica a experiência do sofrimento e que segundo a declaração, bem como a constituição, não se beneficiam dos direitos apresentados pelos mesmos3. Esta disparidade é encontrada com muita facilidade na realidade brasileira.
Um discurso é apresentado pela declaração universal em favor dos que sofrem por falta de justiça, assim como as diversas pendências na atualidade. Outro discurso é apresentado pela constituição federal em prol da saúde, bem como a educação, segurança etc., mas de fato, a realidade se encontra muito distante do modelo de equidade proposto por todo e qualquer órgão competente para pensar sobre a ética e o bem estar humanitário. O que resta apenas ao brasileiro e ao cidadão do mundo a espera, não passiva, da mudança de pensamento planetário.
[1] É a proposição introdutória do Padre Henrique C. L. Vaz, S.J., no mais completo trabalho sobre o assunto em língua portuguesa: Antropologia Filosófica, vol. I, 3 ed., São Paulo (Edições Loyola), 1993, p. 12.
[2] GARRAFA, Volney. Direitos humanos, poder e injustiça.
3 GARRAFA, Volney. Direitos humanos, poder e injustiça.
segunda-feira, fevereiro 19, 2007
Deixa ir os meus Músicos!
Falar de Deus é essencial: "como crerão, se não ouvirem?". Tão importante quanto falar sobre Deus, no entanto, é falar a partir de Deus ; e quando falamos a partir de Deus, não precisamos, necessariamente, usar o nome de Deus - o livro de Ester conta uma belíssima história sem usar o nome de Deus nem uma única vez, e essa história se tornou parte do cânon judaico-cristão, como narrativa divinamente inspirada.
A questão, pois, é se temos a graça de contar a história do modo correto, de narrar a vida sob a luz do evangelho. Precisamos de música que não fale de Deus, mas que fale a respeito da vida, das flores, do amor, da política, e das crianças, sob a luz do evangelho; precisamos de música que fale sobre o mundo, mas a partir de Deus.
Além disso, precisamos de música, simplesmente. Música que signifique Deus por sua beleza, e que mostre a sua glória sem palavras. A música pode ser narrativa, mas não precisa ser - a música não precisa de justificativas além da sua própria existência porque, afinal, Deus não precisa dar explicações sobre a razão de sua criação. Quem pode pôr em dúvida a beleza da música? Quem pode pôr em dúvida o amor do homem pela beleza da música? E quem pode pôr em dúvida a origem divina de toda boa dádiva, e de todo dom perfeito?
Quem és tu, ó pastor evangélico, para discutires com Deus? (...)
Pode a coisa feita desafiar seu Criador, perguntando-lhe: "Por que me fizeste assim?" Ou terás a ousadia de reprovar o inventor da beleza, por ter criado homens que amam a música pela música, mesmo quando não tem uma razão bíblica para desfrutá-la? Acusarás a Deus de ser o tentador do homem? Atribuirás a Satanás a arte de Mozart, de Wagner ou de Villa-Lobos? Consumados estes absurdos, que mais restará senão reprovar também a beleza das flores e o canto do sabiá? Por causa de Israel o nome de Deus foi blasfemado entre os gentios;
...mas por causa de ti a música cristã afunda nas trevas da feiúra estética.
Não me esqueço do dia em que um diácono da minha igreja - um homem grande, sério, que detestava livros mais do que qualquer coisa na vida - me chamou para uma conversa séria, "de homem pra homem". Este diácono - não sei se no corpo ou fora do corpo, Deus o sabe - me aconselhou a desistir de ser músico profissional. "Porque" - dizia ele - "este meio artístico é muito sujo... Tem muita p., e um crente verdadeiro não se mete com p. Quando tem muita p. num lugar a gente tem que sair". E, de fato, eu saí rapidamente de perto dele. Acho que em poucas ocasiões eu ouvi tantas vezes a palavra "p...".
Os músicos cristãos precisam de libertação - não da música "do mundo", mas da música "da igreja". Precisam ser libertados do jugo dos pastores e dos crentes legalistas, que exigem qualidade nas noites de domingo, mas que proíbem estes músicos de se profissionalizarem, e fecham o mundo da música a uma ação cristã redentiva.
Por Guilherme Carvalho, http://ideiafiksa.blogspot.com/
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Seria a hipocrisia um meio santo de se viver?
Pior que o câncer é ter isso em nossas igrejas. Pessoas se intitulando apóstolos, mas que na verdade buscam simplesmente status, poder, dinheiro, objetivos estes que os levarão à ruína e à perdição. Quando já se viu tal coisa na história da Igreja? Pastores pegos em escândalos monetários e que ainda insistem em pedir dinheiro aos seus membros alegando serem vítimas de perseguições. A igreja evangélica, que sempre pregou contra a riqueza da igreja católica hoje busca o mesmo status, custe o que custar. O pior é quando vemos que o protestantismo nasceu para ir contra as indulgências, sistema opressor do qual a católica se utilizou para adquirir dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro, e hoje esquecido pelo meio evangélico. Que desonra às raízes! Se não valoriza o próprio surgimento como valorizar o nascimento do Salvador em meio aos homens? E o pior é, quando praticando todas essas coisas, ainda se busca a “quantidade” e não a “qualidade” de seus membros. Pessoas e mais pessoas entram nas igrejas e saem sem ao menos meditar no que quer dizer o título “Jesus Cristo, o Filho de Deus”, ou então “não se pode servir a Deus e a Mamon”. Como dizia Nietzsche: “O poder gosta de andar com pernas tortas”.
Outro problema: Mais e mais CD’s são criados e lançados com uma desculpa de ser o propósito de Deus e de ser aquilo que “foi gerado no coração de Deus”. O problema é que quando alguém diz ter sua obra gerada no coração de Deus não dá a oportunidade a ninguém de questiona-la segundo sua interpretação porque é como se fosse um questionamento contra Deus. Mas tal questionamento se torna possível quando este irmão é pego em escândalos, mentiras e falsidades. Aí é tarde; milhões de “pequenos cristos” se escandalizaram nos “grandes cristos”. Aí pergunto: Seria Deus o criador de seu próprio louvor? Deus criaria uma letra para se louvar? O louvor parte de Deus para Deus ou do homem a Deus? Ou teríamos capacidade vinda de Deus para louvarmos com nossas próprias letras? O ritmos têm de ser sempre o mesmo? Estranho... E o mais interessante é que muitos que lançam CD’s “gospidos” tem a cara de pau de dizer que é pecado comprar CD’s piratas. Mas qual é o pecado maior? Comprar um CD pirata ou comprar um CD original pagando este absurdo de preço que vemos hoje em dia? Dizem eles ser pecado comprar algo falsificado porque “não se dá a paga devida ao trabalhador”. Mas será que esses que dizem viver essa “verdade” vivem ela realmente? Será que o “Windows” da Microsoft, outros programas de computador, o tênis que ele usa, a marca da roupa, o cinto, a bateria do relógio, ou o próprio relógio e a mochila são originais? Não seria pecado deixar de lutar com a empresa que mais oprime o seu cliente; as gravadoras? Absurdos são cobrados dos músicos e estes aceitam porque têm o dinheiro para pagarem. Aliás, têm dinheiro porque os “pequenos” é que dão. Daí, eles aproveitam e jogam a culpa de algo que se iniciou nele para se verem livres. O pensamento destes anti-evangelho impede qualquer um de estudar em uma faculdade, uma vez que esta é cara no que tange à mensalidade e porque agora é “pecado” usar “Windows” falsificado. Não digo aqui que se deve usar coisas defraudadas à torto e direito, mas que também não devemos nos inclinar ante esse espírito do consumismo capitalista anti-cristo.
Tais pessoas que praticam tais atos não passam de pessoas que apenas chegaram em Jesus, o fitaram com os próprios olhos e então pararam diante dele e mudaram suas vidas. Até que muitos mudam para melhor! Mas Cristo é a Porta, e Ele nos chama para entrar e não para ficar parado diante Dele. Isso é covardia, porque para passar por Ele é preciso passar pela cruz; precisamos negar o nosso ego. Precisamos de um minuto de silêncio diante daquele que não é o Silêncio, mas que estava no princípio com o Silêncio que nos leva a conhecermos quem realmente somos. Só que a igreja prefere ligar a guitarra e fazer barulho. Falar em línguas também. Tudo para que não se manifeste o silêncio porque senão Deus fala. E se Ele falar muita coisa terá que “ir pro espaço”. O silêncio de Deus é ensurdecedor.
O que resta para essa igreja? Diante de tanta “baboseira” e falta de reverência (hoje existem pessoas que chamam Deus de “o cara lá de cima”, ou de “meu papaizinho” sem pensar na imensidão, na retidão e na santidade de Deus com relação a nós) resta à igreja a passar pela porta. Perceber que o Evangelho é renúncia. Não é pregar prosperidade. O próprio pregador já disse em Eclesiastes 7:15: “Nesta vida sem sentido eu já vi de tudo: Um justo que morreu apesar da sua justiça, e um ímpio que teve vida longa apesar da sua impiedade”. Nem Jesus, que foi o mais justo de todos andou de carruagem (nem de BMW)! Aliás, Ele nasceu numa manjedoura e levou uma vida humilde e simples. O problema é que, para ser humilde, devemos ser humilhados, porque assim aprenderemos como realmente agir. A cruz deve ser o centro e não o dízimo. Hoje em dia nem o dízimo é aceito como deveria ser: As tribos, no Primeiro Testamento, davam 10% do que produziam, e não 10% de seu dinheiro (em espécie). Davam a ovelha, o cereal, e não a moeda. Por quê? Porque Deus quer igualdade e justiça no meio de seu povo e não motivo para mais escândalos. Dizime, mas com justiça, com retidão, com consciência. Se não for assim não dizime, porque não existe esse Deus medieval que tanto é pregado aqui no Brasil que faz mal e amaldiçoa quem não dizima. Pura mentira! Isso mesmo: Mentira! Devemos dizimar não porque é Lei, mas porque meu irmão precisa viver em pé de igualdade comigo e também em justiça.
O chamado de Jesus Cristo não é para uma vida em bonança. Aliás, só leva vida em bonança quem não prega a verdade. Fale a verdade real na igreja e veja se você não será perseguido por pelo menos meia dúzia de “crentes em Deus”. Não digo aqui que você não deve ir à igreja. Deve ir sim porque é lá que se reúne o povo de Deus para contar e experimentar das maravilhas de Deus. É lá que aprendemos como conviver e colocar o amor de Cristo em prática. Mas lá não é lugar de enganação; de Deus não se zomba. Pode ter certeza que não cairá um raio na cabeça destes que pregam a perversão, mas se cair é porque o salário de seu pecado foi este. Deus vingará quando concretizar Sua vinda. Naquele dia será dor e separação. Não existirão pedrinhas no feijão. O feijão irá para o interior de Deus, mas as pedrinhas... A Pós-Modernidade experimenta a falsidade, a verdade relativa, o amor selecionado, o viver com amigos apenas, mas isso é lixo. É o mesmo que uma latrina sem descarga. Deus não é Deus de duas verdades, nem de mais. Ele não é de selecionar uns e outros com maldade. O mal não reina sobre Ele, mas sim o contrário. O mal domina sobre o homem, até mesmo em sua compreensão sobre Deus e seus atributos. O homem é mal devido ao seu pecado. E necessita de Deus para ser curado. Ame a Deus e deixe reinar como deve, pois caso contrário você mesmo se exterminará.
Sou Carlos Chagas, membro da Igreja Batista Betel no Flamengo em Contagem, Minas Gerais. Sou sonoplasta e estudante de Teologia na FATE-BH. Sou crente desde 2002 e sedento por Justiça e por justiça.
Sole Dei Gratia. 07/01/2007
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Uma pergunta que precisa ser calada...
A pergunta 'SAbe qual o exército que luta contra ele mesmo?' (...) encontraria no Mestre a seguinte resposta:
"Vocês sabem que os governantes das nações AS DOMINAM, e as pessoas importantes EXERCEM PODER sobre elas. NÃO SERÁ ASSIM ENTRE VOCÊS; ao contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo, e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo, como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos." (Mat. 20:25-28)
... acrescentaria dizendo: "...Os reis das nações DOMINAM sobre elas, e os que EXERCEM AUTORIDADE sobre elas são chamados de benfeitores; MAS VOCÊS NÃO SERÃO ASSIM. Ao contrário, o maior entre vocês deverá ser como o mais jovem, e aquele que governa como o que serve. Pois quem é maior, o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como o que serve." (Luc. 22:25-27).
Não existem exércitos dominantes, não há milícia para militar, não há guerras para vencerem... Jesus já liquidou tudo no madeiro! Temos que viver em Amor e na sã doutrina! Aquilo que Jesus e os Apóstolos (estes sim canônios} ensinaram como princípio de fé e detentor da Lei do Espírito e da Vida! Se o Mestre estivesse aqui, Ele diria mais uma vez "Está Tudo Consumado!"